TCI NO BRASIL E NO MUNDO

Hoje existem cerca de 27.000 terapeutas comunitários, formados pelos 42 Pólos Formadores da TCI, atuando em 25 estados brasileiros: Acre, Amapá, Pará, Rondônia, Amazonas, Ceará, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte,  Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato grosso do Sul, Tocantins, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina,  Paraná e Rio Grande do Sul.

Nos últimos 10 anos, essa tecnologia social tem sido implantada também em outros países, como por exemplo, França, Suíça, Alemanha, Moçambique, Argentina, Chile e México. Em cada nação, em cada cultura, novas formas de abordagens pedagógicas tem sido usadas para facilitar a linguagem e o jeito de cada grupo.

Podemos resumir dizendo que a Terapia Comunitária Integrativa está difundida como tecnologia social e de intervenção social  nas várias áreas públicas, ONGs sociais e empresas  disponíveis a cuidar  das pessoas e das comunidades. As instituições públicas e privadas, com o intuito de ajudar as populações, se utilizam, muitas vezes, do procedimento do "dar pronto" levando a dependência e enfraquecimento da capacidade de resolução. A TCI, com seus princípios e fomento das redes solidárias, compromete todos no processo, entendendo que todas as pessoas e comunidades tem seus problemas mas tem também suas soluções.

A facilidade dessa abordagem de se integrar aos projetos sociais e políticas públicas no Brasil se deve fundamentalmente a sua versatilidade sobretudo ao  respeito da cultura  de cada grupo social, estímulo a autonomia e cidadania ativa. Devido às diferenças regionais e às incontáveis influências culturais existentes no Brasil, a TCI tem recebido contribuições valiosas para o enriquecimento e a ampliação de suas possibilidades de atuação. A cada nova experiência amplia-se a sensibilidade do terapeuta de acolher a pessoa que sofre, ajudando-a no fortalecimento pessoal e superação de seus problemas. 

A experiência de 24 anos de desenvolvimento da TCI no Brasil, avaliamos a importância da TCI em dois aspectos. O primeiro refere-se aos fatores causais que mantêm a grande parcela da população brasileira em situação de carência básica e de miséria existencial. As rodas de terapia comunitária tem sido de grande valor no levantamento dos problemas locais e das estratégias defensivas utilizadas pelas pessoas para superar e resolver as dificuldades. Os estudos mostram que a TCI pode funcionar como um instrumento de levantamento e diagnóstico da situação de  nossas comunidades.

A segunda trata dos mecanismos de reversão dessa situação, identificando os caminhos de transformação, de resgate da cidadania perdida, da identidade cultural e da autoestima. A TCI instrumentaliza as equipes de saúde, educação, trabalhadores sociais, etc., a combater o paternalismo, a figura de salvador da pátria, e trabalhar no viés libertador, crítico e de crescimento.

 

INTEGRAÇÃO DA TCI COM A REDE DE SAÚDE PÚBLICA

A Terapia comunitária se insere na rede de Saúde Pública por meio das equipes do Programa de Saúde da Família (PSF), equipes dos Centros e Postos de Saúde, Hospitais Gerais e Serviços de Saúde Mental.

Os serviços básicos de saúde, educação e de assistência social do governo têm sido insuficientes para abarcar esse atendimento, tornando-se precárias as ações de saúde e assistência à criança, à família e à comunidade. Na maioria dos casos os atendimentos das instituições oficiais são direcionados aos problemas já instalados: doenças cronificadas, relacionamentos familiares adoecidos e vínculos sociais esfacelados.

Na rede pública de saúde, a Terapia Comunitária Integrativa tem por objetivos:

• Criar um cinturão de atenção, cuidado e prevenção;
• Ser multiplicador do atendimento;
• Identificar e encaminhar aos centros especializados as situações graves de transtornos psíquicos;
• Servir de elo e favorecer o envolvimento multiprofissional da rede com uma proposta de atenção básica em saúde mental.

Como exemplo de aplicação dessa abordagem em Centros de Saúde Pública, citamos os do Distrito Federal, que incorporaram a TCI na prática de atendimento. A população que procura esses espaços é de baixa renda, apresenta problemas de alcoolismo, drogadicção, exclusão e outros males sociais.

A Terapia Comunitária comunga dos princípios que norteiam a assistência à saúde integral e articula-se com a prática cotidiana do atendimento na unidade de saúde. Acolher as pessoas portadoras de sintomas clínicos, somatizações e transtornos mentais, em especial episódios depressivos leves e moderados.

O convívio articulado da Terapia Comunitária com os Centros de Saúde vem reafirmar a TCI como um instrumento poderoso de melhoria da qualidade de vida das pessoas e de seus familiares.

 

TCI NAS ÁREAS SOCIAIS, DE JUSTIÇA E EDUCAÇÃO

Nos centros de desenvolvimento Social do DF (CDS), as Terapias Comunitárias estão sendo realizadas com pessoas que recorrem aos atendimentos sociais e jurídicos. Beneficiam-se crianças e adolescentes com dependência de uso de substâncias psicoativas, sob a jurisdição do Tribunal de Justiça. Esses jovens se encontram, na maioria dos casos, sob medidas sócio-educativas por prática de delitos, medidas de proteção ou em situação de risco social.

As Terapias Comunitárias são realizadas também com os familiares desses jovens, que demandam apoio e continência para conseguir lidar com a crise e superá-la.

Na rede educacional pública a criação dos grupos de Terapia Comunitária tem sido estimulada por professores e diretores de escolas. A finalidade é facilitar a abordagem das dificuldades de aprendizagem, comportamento inadequado e relacionamentos agressivos entre os alunos. Tem como objetivo melhorar a qualidade de comunicação entre a rede discente, docente, pais e profissionais inseridos no contexto da escola.

Outros setores de atendimento à população vêm solicitando a participação da TC. Algumas entidades religiosas, que prestam assistência material a seus fiéis, sentem a necessidade de promover a reflexão e o compartilhamento de seus problemas. Buscam contribuir para a construção da identidade, cidadania e autonomia de seus adeptos.





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