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TERAPIA COMUNITÁRIA
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O que é a Terapia Comunitária? |
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A Terapia Comunitária (TC) é um procedimento terapêutico, em grupo, com a finalidade de promover a saúde e a atenção primária em saúde mental.
Funciona como fomentadora de cidadania, de rede sociais solidárias e de identidade cultural das comunidades carentes.
Por ser um trabalho em grupo atinge um grande número de pessoas, abrangendo diversos contextos familiares, institucionais e sociais. |
A terapia Comunitária constitui:
Espaço proporcionador para a fala e expressão do sofrimento e das situações de crise
Oportunidade de união das famílias e do grupo social, facilitando a construção da rede de solidariedade entre as pessoas
Instrumento importante para o resgate cultural e da auto-estima das populações menos favorecidas, nas mais variadas comunidades
Exercício de inclusão e de valorização das diferenças e dos referenciais positivos de cada indíviduo.
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Para que?
Desenvolver atividades de prevenção e inserção social de pessoas que vivem em situação de crise e sofrimento psíquico.
Promover a integração de pessoas, a construção de dignidade e da cidadania, contribuindo para a redução dos vários tipos de exclusão
Promover encontros interpessoais e intercomunitários, valorizando a história individual e a identidade cultural, a fim de restaurar a autoestima e a autoconfiança. |
Para quem?
A Terapia Comunitária destina-se às pessoas sofridas: problemas familiares, psicoemocionais, psicossomáticos, hipertenção, diabetes, gestação, dependência química, HIV positivo. Evolve adulto, idoso, criança e adolescente.
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Por quê?
A TC vem maximizar e universalizar instrumentos para a prevenção de problmeas cada vez mais presentes em nossa sociedade, tais como:
- doenças psíquicas
- somatizações
- violência doméstica e urbana
- situações de crise intrafamiliar
- crise intracomunitária
- abandono social
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Histórico |
A metodologia da Terapia Comunitária foi criada e sistemzatizada pelo psquiatra e antropólogo Adalberto Barreto, em 1987, na favela de Pirambu, Fortaleza - CE.
A TC surgiu nessa favela em resposta a duas necessidades:
- atender milhares de pessoas com problmeas emocionais e psíquicos;
- adequar as propostas acadêmicas de promoção de saúde às carências reais apresentadas por aquela comunidade.
Desde o início, o professor Adalberto Barreto percebeu que não poderia trabalhar na favela do mesmo modo como trabalhava no hospital ou no consultório, prescrevendo remédios e adordando as pessoas individualmente.
Entendeu que a lógica de consultas médicas não responderia às necessidades daquelas pessoas. A maioria era imigrante que deixava sua comunidade de origem e se agregava desordenamente nas periferias das grandes cidades, em condições de miséria e sem apoio do Estado. |
Dr. Barreto conluiu que a prioridade para aquele grupo era a criação de uma rede social de solidariedade.
Segundo Luiz Duarte, "a enfermidade está intimamente relacionada com a cultura". Não se pode esperar que a causa, o tratamento e até mesmo a doença sejam formatados igualmente para os diferentes contextos socioculturais.
Despertando o Potencial Humano
A Terapia Comunitária está embasada na constatação de que as pessoas carentes, vivendo os problmeas mais variados, demostram riqueza nas possibilidades de soluções.
Os profissionais de saúde, educação, áreas sociais e agentes comunitários devem ser um instrumento canalisador das soluções emergentes da própria comunidade. Promover os vínculos sociais, as redes de solidariedade e melhorar a auto-estima.
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Pilares da Terapia Comunitária |
A TC está fundamentada teoricamente sobre cinco pilares:
- Pensamento Sistêmico;
- Teoria da Comunicação;
- Antropologia Cultural;
- Resiliência;
- Pedagogia Paulo Freire;
Esses referenciais teóricos estão imbricados numa interrelação consistente e indissociável para a compreensão da metodologia da TC.
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1. Pensamento Sistêmico |
2 - Teoria da Comunicação |
Criada pelo biólogo Ludwing Von Bertalanfly (1976), na década de 20, a Teoria Geral dos Sistemas busca compreender a interrelação existente entre as partes e o todo.
As crises e os problemas são observados e resolvidos como partes integradas de uma rede complexa, cheia de ramificações, que interligam as pessoas num todo. Envolve a biologia (corpo), a psicologia (mente e emoções) e a sociedade (contexto cultural). Esses aspectos estão interligados e todas as partes influenciam umas às outras.
A abordagem sistêmica percebe a pessoa humana na sua relalção com a família, com a sociedade, com seus valores e crenças, contribuindo para a compreensão e transformação do indivíduo.
A consciência da globalidade possibilita abordar e situar um problema sem perder de vista as várias partes do conjunto. Estimular os mecanismos de auto-regulção, proteção e noção de co-responsabilidade. |
Segundo Watzlawick (1967), os processos de comunicação interferem no comportamento.
Todo comportamento é comunicação.
O comportamento tem valor de mensagem numa ação interacional. A atividade ou a inatividade, as palavras ou o silêncio, mesmo não intencionais, possuem valor de mensagem. Não há como não se comunicar.
Toda comunicação tem dois aspectos: a comunicação verbal e a não verbal, expressa por meio de gestos, olhares, tom de voz etc.
Nesse sentido, a comuinicação se torna uma seqüência ininterrupta de trocas.
Os princípios da Teoria da Comunicaçã, aplicados na Terapida Comunitária, indicam que todo sintoma tem valor de comunicação.
Isso significa que as queixas e os problmeas apresentados estão comunicando um desequilíbrio familiar ou social. A exemplo do alcoolismo, dos atos de deliqüência juvenil, das somatizações e dos sofrimentos psíquicos. |
3- Antropologia textual |
4- Resiliência |
A Antropolia Cultural ressalta que os valores e as crenças são fatores importantes na formação da identidade do indivíduo e do grupo.
Adalberto Barreto considera que a transformação social só será possível quando considerar duas vias: a do conhecimento científico e a do saber popular. |
Termo utilizado pelo criador da Terapia Comunitária para significar a capacidade dos indivíduos famílias e comunidades de superar as dificuldades contextuais. É esse saber que tem permitido aos pobres e oprimidos sobreviverem através dos tempos.
De acordo com a TC, a resiliência apresenta as seguintes características:
- valorização da experiência pessoal;
- reconhecimento da competência dos indivíduos, das famílias e das comunidades;
- senso de humor como forma de transformar o trágico em lúdico;
- desenvolve-se por meio da interação ente o indivíduo e seu ambiente;
- não substitui as políticas públicas / sociais, devendo inspirá-las e ou reorientá-las;
- exige um espírito construtivo;
- encoraja e estimula a capacidade de aprendizado das pessoas.
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Terapia Comunitária no Distrito Federal |
Por ser uma cidade jovem, a população de Brasília ainda é formada basicamente por imigrantes. Pessoas de culturas e regiões diversas do país; alguns vieram or transferência do serviço público federal, outras para construção civil ou em busca de "uma vida melhor".
De acordo cm os conceitos de comunidade, brasília ainda não apresenta as características próprias de estruturação comunitária.
Eis alguns elementos que evidenciam essa percepção:
1- A organização arquitetônica de Brasília resulta de um projeto rigidamente planejado e calçado em interesses admistrativos, prejudicando a contigüidade espacial e a aproximação habitual dos seus membros; |
2- O fato da cidade ter sido constituída por imigrantes de diferentes culturas e procedências geográficas, cria uma dificuldade a mais para o estabelecimento de interesses comuns;
3- A participação em uma obra comum tem sido muito fragmentada e em alguns lugares ela só ocorre de forma pontual;
4- Na distribuição do espaço prioriza-se a setorização, prejudicando o ajuntamento humano.
Diante disso, a Terapia Comunitária se propõe, em Brasília, a ajudar os grupos humanos a se constituir como comunidades. |
Atuação |
onde? |
A Terapia Comunitária está sendo implantada em Brasília desde setembro de 2001, pelo Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária do Distrito Federal (MISMEC-DF).
Atualmente abrange 600 Terapeutas comunitários e 45 grupos de Terapia Comunitária em Atividade.
Os grupos são conduzidos or alunos e ex-alunos das turmas de formação de terapeutas comunitários, promovidas pelo MISMEC-DF.
Desde sua implantação, foram realizados cerca de 2.800 grupos grupos de terapia comunitária.
Em média, são atendidas 900 pessoas por semana, de forma aberta, com grande rotatividade e abrangência, dentre adultos, crianças, adolescentes e idosos.
A procura do Cruso de Formação tem sido imensa, estando na 6ª turma. Assim estaremos aumentando a rede de atendimento no DF. |
A Terapia Comunitária está sendo realizada no Distrito Federal, em diversos espaços: centros de saúde, igrejas, templos, hospitais, escolas, associações de bairros e de moradores, centros de desenvolvimento social, entidades de assistência. |
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A Terapia Comunitária no Brasil |
12.000 Terapeutas atuam em 25 estados: Acre, Pará, Rondônia, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Bahia, Rio Grande do Norte, Piauí, Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná, Rio Grande do Sul.
Devido às diferenças regionais e às incontáveis influências culturais existentes no Brasil, a TC tem recebido contribuições valiosas para o enriquecimento e a ampliação de suas possibilidades de atuação.
A proposta atual é incorporar a TC como instrumento de promoção da saúde, nos programas de Saúde da Família, desenvolvimento social e educacional.
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Ao longo dos anos de experiência da TC no Brasil, avaliamos a importância de uma reflexão em dois aspectos.
A primeira refere-se aos fatores causais que mantêm grande parcela da população brasileira em situação de carência básica e de miséria existencial.
A segunda trata dos mecanismos de reversão dessa situação, identificando os caminhos de transformação, de resgate da cidadania perdida, da identidade cultural e da auto-estima.
Os mecanismos de reversão desta realidade dependem de equipes de saúde, de educação, de trabalhadores sociais, que descubram caminhos eficazes para auxiliar a população carente. |
As insituições públicas, as organizações não governamentais e as entidades religisosas, no intuito de ajudar essas populaçãoes, se utilizam, muitas vezes, do procedimento de "dar ponto". Algumas dessas instituições usam o "dar ponto" como forma de manipular e obter benefícios políticos, de poder e aumento do número de fiéis.
A TC visa romper com o paternalismo e com a manutenção da miséria existencial das populações. Investe na capacidade dessa população de autoregerir-se, resgatando a identidade cultural e os valores de cidadania. |
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Integração da TC com a rede de saúde pública |
A Terapia comunitária se insere na rede de Saúde Pública por meio das equipes do Programa de Saúde da Família (PSF), equipes dos Centros e Postos de Saúde, Hospitais Gerais e Serviçoes de Saúde Mental.
Os serviços básicos de saúde, educação e de assistência social do governo têm sido insuficientes para abarcar esse atendimento, tornando-se precárias as ações de saúde e assistência à criança, à família e à comunidade.
Na maioria dos casos os atendimentos das instituições oficiais são direcionados aos problmeas já instalados: doenças cronificadas, relacionamentos familiares adoecidos e vínculos sociais esfacelados.
Na rede pública de saúde, a Terapia Comunitária tem por objetivos:
- criar um cinturão de atenção, cuidado e prevenção;
- ser multiplicador do atendimento;
- identificiar e encaminhas aos centros especializados as situações graves de transtornos psíquicos;
- servir de elo e favorecer o envolvimento multiprofissional da rede com uma proposta de atenção básica em saúde mental.
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Como exemplo de aplicação da TC em Centros de Saúde pública, citamos os do Distrito Federal, que incorporaram a TC na prática de atendimento. A população que procura esses espaços é de baixa renda, apresenta problmeas de alcoolismo, drogadição, delinqüência e outros males sociais.
A terapia Comunitária comunga dos princípios que norteiam a assistência à saúde integral e articula-se com a prática cotidiana do atendimento na unidade de saúde. Acolher as pessoas portadoras de sintomas clínicos, somatizações e transtornos mentais, em especial episódios depressivos leves e moderados.
O convívio articulado da Terapia Comunitária com os Centros de Saúde vem reafirmar a TC como um instrumento poderoso de melhoria da qualidade de vida das pessoas e de seus familiares. |
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TC nas áres Sociais, de Justiça e Educação |
Nos centros de desenvolvimento Social do DF (CDS), as Terapias Comunitárias estão sendo realizadas com pessoas que recorrem aos atendimentos sociais e jurídicos. Beneficiam-se crianças e adolescentes com dependência de uso de substâncias psicoativas, sob a jurisdição do Tribunal de Justiça.
Esses jovens se encontram, na maioria dos casos, sob medidas sócio-educativas por prática de delitos, medidas de proteção ou em situação de risco social.
As Terapias Comunitárias são realizadas também com os familiares desses jovens, que demandam apoio e continência para conseguir lidar com a crise e superá-la.
Na rede educacional pública a criação dos grupos de Terapia Comunitária tem sido |
estimulada por professores e diretores de escolas. A finalidade é facilitar a abordagem das dificuldades de aprendizagem, comportamento inadequado e relacionamentos agressivos entre os alunos. Tem como conseqüência, melhorar a qualidade de comunicação entre a rede discente, docente, pais e profissionais inseridos no contexto da escola.
Outros setores de atendimento à população vêm solicitando a participação da TC.
Algumas entidades religiosas, que prestam assistência material a seus fiéis, sentem a necessidade de promover a reflexão e o compartilhamento de seus probelmas. Buscam contribuir para a contrução da identidade, cidadania e autonoia de seus adeptos. |
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Polos formadores de Terapeutas Comunitários |
A formação de terapeutas comunitários está acessível aos profissionais das áres de saúde, educação, trabalhador social, agentes sociais e pessoas que queiram se dedicar ao trabalho comunitário.
O trabalho do terapeuta comunitário consiste em criar um ambiente de escuta, voltado para o fortalecimento dos vínculos entre as pessoas, possibilitando a partilha de experiências.
O profissional comunitário é um facilitador de reflexões, soluções e compartilhamentos trazidos pelo grupo.
A TC não objetiva mudar atitudes, comportamentos ou pensamentos das pessoas. |
Distingue-se das propostas terapêuticas centradas na interpretação e na mudança de comportamento.
A formação de terapeutas comunitários acontecia, no início, através da Pastoral da Criança (CNBB). Atualmente existem grupos de formação realizados por Universidades, ONGs, Secretarias de Saúde Municipal e Estadual e Pelo Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária (MISMEC).
Atualmente existem 36 polos formadores de Terapeutas Comunitários no Brasil: |
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